outubro 10, 2016

Escola da Ponte, uma escola pública diferente

A Escola da Ponte é uma escola pública, que aborda a Educação de uma forma mais co-participada e co-responsável.

Já tinha ouvido falar há alguns anos nesta escola. Cheguei até a assistir a palestras do Dr. José Pacheco, idealizador e fundador deste projeto, e já estava na minha lista de projetos a visitar há algum tempo.
Aproveitei a juntar-me a um grupo de amigos, e fomos fazer uma visita de estudo.

A Escola da Ponte tem turmas desde o pré-escolar ao 9º ano e mais de 200 alunos inscritos.
O que a diferencia do método de ensino convencional é que ali não existem propriamente aulas, pelo menos da forma como estamos habituados a ver: um professor a falar e os alunos a ouvirem. Ali são os alunos que definem o seu plano de trabalho. E como?
De 15 em 15 dias, cada aluno faz o seu plano quinzenal de trabalho com o tutor (é um professor que ele escolhe para o acompanhar durante o ano letivo). Este plano também depende do plano curricular do Ministério da Educação, pois trata-se de uma escola pública. Mas a matéria é desdobrada em pequenos objetivos, que são incluídos neste plano quinzenal.
A partir daqui, cada aluno faz o seu plano semanal e diário. O conceito de aula não existe, mas existe sim um espaço de partilha entre os alunos, em mesas redondas. Os grupos de trabalho são heterogéneos, escolhidos pelos alunos e validados pelos professores e o objetivo é que os alunos possam ajudar-se mutuamente em matérias diferentes, ao longo do dia. Não conseguindo obter ajuda de um colega, o professor está disponível na sala e pode ser solicitado a qualquer momento. No final do dia, o aluno faz uma auto-avaliação relativamente aos objetivos que tinha estipulado para aquele dia, se correu como o esperado ou não e porquê.
Duas vezes por semana, o aluno encontra-se com o seu tutor, para fazer o ponto de situação do seu plano e fazer pequenos ajustes.
Em relação aos famosos trabalhos para casa, só existem para os mais pequenos e para os restantes em determinadas matérias como o Inglês e Francês: as chamadas oralidades.
Portanto, é o aluno que gere o seu método de trabalho, dentro dos limites estipulados.
Quando o aluno se sente preparado para ser avaliado a uma determinada matéria, regista a sua disponibilidade num mapa que está afixado na escola. A forma de avaliação também depende. Não existem propriamente testes, mas momentos de avaliação, que na maioria dos casos me pareceu que são orais.

Existem ainda reuniões de assembleia promovidas e facilitadas pelos alunos, onde toda a comunidade educativa pode assistir. Todas as segundas feiras de manhã, os membros pedem que se partilhem temas, balanço de responsabilidades, etc, para se abordarem posteriormente na assembleia.

Há também uma comissão de ajuda composta por alunos de diferentes idades, que resolve problemas da escola, nomeadamente conflitos, etc. Quando os alunos não conseguem resolver, a situação segue para o tutor, pais, e gestão. 

Cada aluno tem ainda uma responsabilidade na escola, que pode ser verificar o estado dos livros e cadernos, o material, etc.
Um ponto curioso é que os pais pagam um valor no início do ano para a compra de todo o material escolar. Desta forma, o material é propriedade da escola e, portanto, de todos.


E o melhor de tudo, é que toda esta visita foi facilitada por duas alunas! :)


Gostei imenso da visita e da visão da escola. Acima de tudo, investe-se imenso no saber ser de cada criança, e no saber fazer de forma autónoma e responsável.
Deu-me vontade de ter filhos só para os pôr lá ;)

Mas achei curioso que a lista de espera para entrar não é assim tão grande... Parece que apesar de ser uma escola pública, (que obedece ao plano curricular do Ministério da Educação e, por isso, qualquer aluno que tenha aproveitamento possui equivalência ao ano escolar inscrito), os pais continuam a ter alguma resistência em colocar os seus filhos em sistemas menos convencionais. A localização da escola, em Santo Tirso, também não ajuda. Foi-me dito que a maioria dos alunos não é dali de perto. Há alunos a virem de longe todos os dias e até famílias que imigraram para Portugal para frequentarem esta escola.

É pena que mais escolas não tenham seguido os passos do Dr. José Pacheco. De facto foi preciso muito trabalho e coragem para implementar uma escola oficial alternativa e se calhar é por isso mesmo que não apareceu mais nenhuma até agora...


setembro 13, 2016

Liberdade, como a alcançar?


A tão desejada liberdade... Mas como é que a alcançamos?

Há quem se mate a trabalhar nos primeiros anos para ganhar dinheiro, pensando em assegurar o seu futuro e o dos seus filhos para poder, finalmente, gozar a vida...
Destes, grande parte não chega a usufruir desse momento glorioso, seja porque morre antes disso, ou por não conseguir atingir o seu objetivo. Em ambos os casos, passaram uma vida a preparar um futuro, que afinal foi diferente daquilo que imaginavam...
Outros tentam sair deste ciclo vicioso, vivendo simplesmente o "Carpe Diem", e/ou criando alternativas, para não precisarem de ser "escravos" do sistema.
E há ainda quem nem sequer gaste tempo a pensar no assunto... :)

Cá para mim parece-me que a caça à liberdade é uma corrida sem fim, mas é bom correr por ela, seja lá da forma que for!
E quanto mais corro na sua direção, mais me convenço de que a liberdade não está nas nossas opções, mas sim na forma consciente como as escolhemos! Assim, ser livre é trabalhar para o conhecimento e consciência, mesmo que fisicamente possamos estar debilitados...

setembro 05, 2016

Educação assistida por cavalos, em Portugal


O Vale dos Cavalos, Projeto de Educação Assistida por Cavalos

Fui conhecer o que parece ser o único projeto em Portugal, até ao momento, que utiliza cavalos para desenvolver competências de liderança e comunicação, através de exercícios simples num trabalho em equipa. Os exercícios são feitos no chão, sem necessidade de montar os cavalos, o que permite também que qualquer pessoa possa participar nas atividades e relacionar-se com estes maravilhosos animais de uma forma mais harmoniosa.

Este projeto é de um casal, que teve a amabilidade de nos abrir a porta da sua casa.
É uma possível resposta à exigência da legislação laboral, que prevê um mínimo de 35 horas anuais de formação contínua aos seus colaboradores. No entanto, também se pode dirigir a outros grupos de pessoas e até famílias que pretendam promover este tipo de habilidades.
No fundo, este trabalho pretende analisar o estilo de liderança pessoal de cada participante e o impacto desse mesmo estilo nas pessoas à sua volta, resultando assim num aumento de auto-consciência e de competências interpessoais.
A capacidade de cura e de desenvolvimento de competências através destes animais é enorme. Eu sou um exemplo disso. Ainda me lembro da minha mãe me ter posto na equitação para me desenvolver socialmente. Quando era mais nova era muito "atada", tinha medo de arriscar, de me perder, de fazer coisas novas. E sempre muito medo de falhar. Ter lidado com este tipo de animais durante quase 15 anos fez-me ganhar muito à vontade e determinação, principalmente pelos anos em que fiz competição em saltos de obstáculos. 
Gerir as nossas emoções e dificuldades e mais as de um animal destes requer muito. E aprende-se imenso nesta troca.

Passados alguns anos, sinto que gostava de devolver algo a estes animais, que tanto contribuíram para o meu desenvolvimento como pessoa. Desenvolver uma nova relação com eles, desta vez mais holística, de cooperação e promoção do seu bem estar. É bom sentir que outras pessoas estão também a usufruir das suas qualidades terapêuticas, de uma forma menos competitiva do que foi a minha, aproveitando o melhor que estes animais têm para dar: amor e acima de tudo confiança.

O projeto aceita voluntários que queiram ajudar durante estes cursos. Quem sabe, serei uma das próximas voluntárias :)
Conhecer melhor o projeto aqui.

Alguns vídeos sobre educação e terapia assistida por cavalos (em Inglês):
Leadership Trainig with Horses
Martin Clunes Horsepower Equine Therapy

agosto 24, 2016

HouseSitting na Quinta do Pisão, Tábua


Esta é a nossa quarta experiência de HouseSitting em Portugal.
Desta vez estivemos a cuidar de 2 cães, 2 gatos, 19 galinhas, 72 patos e dos espaços verdes da Casa do Pisão, uma quinta com 3,8 hectares de floresta e campos agrícolas, com vistas magníficas para um afluente do Rio Mondego. A Casa do Pisão aluga para turismo um estúdio auto-suficiente. Está anunciada, nomeadamente, no Booking e no Airbnb
Já tínhamos conhecido pessoalmente o casal anfitrião há uns meses atrás, quando fomos a Coja passar 3 dias sustentáveis numa cabana. Como nos tínhamos candidatado a este HouseSitting, aproveitámos a viagem para nos conhecermos pessoalmente. Foi a primeira vez, até agora, que conhecemos os anfitriões e as suas casas antes de fazermos a experiência de HouseSitting.
Embora já conhecessemos o local, não deixou de nos voltar a surpreender com as maravilhosas vistas sobre o afluente do Rio Mondego!

A Claudia e o Leon vieram para esta propriedade há cerca de 2 anos. Recuperaram a casa de pedra, fizeram uma piscina, uma horta e agora têm imensos animais na quinta.

Um pequeno vídeo que fizemos sobre esta experiência, que ilustra o nosso dia-a-dia :)


 

A nossa rotina de tarefas
A nossa rotina começava bem cedinho, às 6h30 da manhã, para ir abrir a porta dos patos e galinhas e tratar deles: ver a água, comida e fazer uma limpeza geral ao espaço.
Depois tratávamos do pequeno almoço dos cães e gatos e dávamos um passeio.
A meio da manhã e da tarde passávamos novamente nos patos e galinhas para dar umas comidinhas boas e uns carinhos e no final do dia tratávamos de os recolher para as suas casas.
Dávamos mais uma refeição aos cães e gatos e regávamos os jardins e horta.
A Lula e a Pastel são os cães que nos acompanhavam nas nossas atividades da quinta.

Ponto alto de aprendizagem
O nosso ponto alto de aprendizagem nesta quinta foi mesmo com os patos e galinhas. Eram quase 100 animais à nossa responsabilidade, adultos e bebés, patas e galinhas a chocarem e novos nascimentos.
Sentimos desde o início o amor e dedicação que este casal tem por estes animais e por isso eles eram alvo da nossa maior atenção.
Aprendi mais sobre a alimentação destes animais, que deve ser o mais variada possível, podendo assim traduzir-se em excelentes e ricos ovos para consumo.

Momentos deliciosos
A abertura das portas dos patos e galinhas, às 6h30 da manhã :)
Os sabores dos produtos da horta. Tivemos o privilégio de provar, nomeadamente, as curgetes, morangos, pimentos, tomates, beringela, etc.
As vistas maravilhosas sobre o afluente do Rio Mondego.
Tínhamos planos de ir passear fora da quinta e fazer a ciclovia da Ecopista do Dão, mas era impossível fugir daquele paraíso. O que mais desfrutamos foi mesmo a Natureza, o silêncio, a piscina, o rio.

Momentos desafiantes
Sem dúvida, a Pastel foi o cão mais desafiante que tivemos até agora. Dominada pela sua história de experiências negativas passadas, demora algum tempo a confiar nas pessoas e 5 dias foram muito pouco para conquistar essa relação de confiança de uma forma mais sólida. No entanto, tive uma excelente surpresa no último dia, quando ela me veio lamber a mão sem eu contar. Afinal, foi ela a dizer-nos "Missão Cumprida" :)


Gostaste de ler este artigo e queres conhecer mais?
Para seguir outras experiências de HouseSitting do meu blogue clica aqui.

Gostaste da ideia do HouseSitting?
A experiência no Housesitting tem sido mais gratificante do que inicialmente pensava.
Se te tiver inspirado e quiseres inscrever-te nesta plataforma, existe um cupão que te dá 20% de desconto se seguires este link para te registares e a mim também me ajuda oferecendo 2 meses grátis. Depois de seres membro podes também fazer este convite a outras pessoas e assim ir acumulando mensalidades gratuitas para as tuas experiências :)
Boas viagens!

julho 22, 2016

CidadeMAIS, 7 a 10 de Julho de 2016

Foi muito interessante como a minha colaboração com o CidadeMAIS aconteceu. Foi numa ida a Lisboa em que fui apresentar a Rede Convergir, que conheci a Sara Silva. Como tinha interesse em envolver-me mais com o movimento de Transição no Porto, aconselharam-me falar com ela. E pronto, a partir daí ela falou-me no evento em que estava a colaborar, o CidadeMAIS, e que até precisavam de ajuda e foi assim que me comecei a envolver com este projeto, que acabou por ser a minha primeira experiência em gestão de Eventos.
É caso para se dizer que é preciso ir a Lisboa para nos envolvermos com os projetos nossos vizinhos do Porto ;)

O que é o CIDADEMAIS?
O CidadeMAIS é um evento que celebra a Cidadania, o Ambiente e a Sustentabilidade em contexto urbano. É totalmente gratuito para os visitantes e inclui iniciativas como: Conferências, Oficinas, Animação, MercadECO, Praça Empresarial, Praça de Alimentação, etc. Decorre anualmente no início de Julho pelos Jardins do Palácio de Cristal. Este evento pretende despertar e informar o público sobre as alternativas verdes que já existem, nomeadamente ao nível das energias, alimentação consciente, saúde holística, etc, e potenciar sinergias entre os projetos.

Eu estive responsável pela Praça de Alimentação e MercadECO, ou seja, o meu trabalho foi de contactar projetos maioritariamente de alimentação saudável e consciente que quisessem estar presentes na Praça de Alimentação, e angariar bancas que se dedicassem à comercialização de produtos que ajudem a pensar a sustentabilidade de uma forma integral, para estarem presentes no MercadECO. Dado ser um evento alusivo à temática da sustentabilidade, tentamos promover marcas amigas do ambiente, ou seja, que tenham práticas responsáveis na sua pegada ecológica, através da utilização de produtos artesanais saudáveis e/ou biológicos, nacionais ou até mesmo locais. Existiu ainda um espaço para a divulgação e promoção das Associações, que fazem um trabalho louvável nas diversas frentes da sustentabilidade. O conceito alarga-se ainda a outras dimensões do bem-estar mais holístico, porque acreditamos que o primeiro trabalho deverá ser, antes de tudo, um trabalho com o nosso Ser Sustentável, e por isso o CidadeMAIS promove um Espaço Zen, com workshops e terapias alternativas.


julho 18, 2016

Mas afinal para que servem as expectativas?

Custa-nos sempre imenso quando as nossas expectativas saem defraudadas, porque aquele era o nosso plano e a mudança é-nos imposta para algo que não queríamos. 
Mas o que sabemos nós do que é que é melhor? 
E se as expectativas não fossem mais do que um mecanismo que temos para nos mantermos na direção certa, mas que na verdade não nos levam necessariamente ao destino que previmos inicialmente? 
Nem tudo o que esperamos tem que acontecer, e todos sabemos disso. Muitas vezes da pior maneira, com muita pena que os nossos planos não se concretizem. Mas e se as expectativas servissem só para nos mantermos focados no caminho, não estando minimamente ligadas ao destino final? 

Vão surgindo obstáculos, umas portas fecham-se e outras que nem imaginávamos abrem-se, e as nossas expectativas vão mudando, mediante novo conhecimento que adquirimos. E a vida trata-se desta dança, que só a sabe dançar quem estiver preparado para deixar fluir...

 

junho 07, 2016

Tertúlia: Faz-te ao teu Sonho

Ilustração de Luísa Costa


No sábado passado participei em mais uma atividade promovida pelo Faz-te à Vida. Desta vez um encontro informal, facilitado pelo Pedro Portela, sobre uma ferramenta que tem como objetivo transformar sonhos em realidade, e que se chama Dragon Dreaming, ou o sonho do dragão. 
Este conceito teve origem na Austrália, e surgiu pelo facto de se ter constatado que existe uma grande percentagem de sonhos que não se viabilizam.
Esta tertúlia foi inserida no ciclo de apresentação do Centro para a Vida Sustentável, nas instalações da Boa Safra - Eco Home Design.



Ponto de partida: Tornar o sonho individual em sonho coletivo 

Percebemos que o sonho nasce da ideia de um indivíduo. Porém, sozinho por vezes é difícil concretizar grandes sonhos, por isso é importante tornar estes sonhos individuais em sonhos coletivos, que serão sempre diferentes do primeiros. Então, logo como ponto de partida para o sucesso da concretização de um sonho é importante que o sonho individual tenha que morrer, para dar lugar ao nascimento de um sonho coletivo, da equipa. Este é um grande primeiro desafio, que condena muitos sonhos ao fracasso… 

Torna-se crucial trabalhar a questão do ego, do desprendimento, da colaboração, como pontos chave para evolução para o nível seguinte.

Raquel Ribeiro. Com tecnologia do Blogger.