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agosto 09, 2022

Retiro do Sagrado Feminino e Masculino

Olá, bem-vindos! Escrevi este artigo para partilhar a minha experiência como participante num retiro do sagrado feminino e sagrado masculino, de 3 dias, com o José Pinto, do projeto Raiz do Homem.

Depois de vivermos uma experiência de crescimento destas, sentimos a responsabilidade de a levarmos para as nossas vidas, para as pessoas que se cruzam por nós, e exatamente por essa razão é que eu escrevo. Para poder integrar, antes de tudo, em mim mesma as experiências, e para poder partilhar contigo o privilégio que tive, e que possamos todos, assim, viver neste mundo de forma mais consciente e, sobretudo, com mais Amor.


A viagem

Este retiro aconteceu num espaço muito especial, próximo de Portimão (Algarve), e foi, para mim, uma espécie de morte e renascimento para a forma como me relaciono comigo e com o outro. Associamos muito o masculino e feminino aos homens e mulheres mas aqui, falamos mais do que isso: entre a parte mais masculina, irradiadora e sustentadora, e a parte mais feminina, receptora e geradora, que cada um de nós, seja homem ou mulher, tem dentro de si mesmo.

Esta viagem vivencial passou por várias fases, desde a desconstrução do patriarcado, ao perdão e à reconexão com as nossas energias masculinas e femininas. Um trabalho feito através de várias atividades, desde a consciência corporal, meditação, ecstactic dance, respiração holotrópica, biodança, danças circulares e da paz.. Houve ainda um ritual muito bonito à volta do fogo e também um círculo só de homens e outro só de mulheres, que terminou com uma linda cerimónia do cacau.


O que me trouxe este grupo

Muito provavelmente por causa do tema: Sagrado Feminino e Sagrado Masculino, foi o retiro onde assisti ao maior número de homens: 11 Homens e 22 Mulheres. 33 foi o nosso número. São cada vez mais os homens que têm vontade de trabalhar a sua relação consigo e com os outros.

Vieram muitas pessoas pela primeira vez a um retiro, outras que já têm vindo a participar em retiros há muitos anos e vários repetentes deste retiro específico, o que é um bom sinal. Foi interessante esta dinâmica, porque pudemo-nos ajudar uns aos outros com diferentes perspectivas.
Com um grupo tão grande e diverso de pessoas, consegui rever-me em diferentes fases da minha vida. Consegui ver a Raquel do passado, que achava que sabia muito mais do que acha que sabe hoje, consegui ver e trabalhar a minha relação amorosa aqui espelhada noutros casais, e consegui ainda inspirar-me com pessoas que estão num lugar de tranquilidade e de sabedoria interna que eu procuro estar. 

Foi um exercício muito interessante na perspetiva do espelho. Olhar para todas essas fases e partes de mim, refletidas nos outros, e conseguir aceitá-las e amá-las em mim, sempre com a humildade de saber que todas essas partes que pertencem ao passado voltam, mesmo em contextos novos, e que nos dão a oportunidade de voltar a dar mais um passo na aceitação e na sua integração em nós. Penso que não existe uma linha que separa o que já fomos e o que somos agora. É tudo um mesmo campo, onde vamos transitando em função da nossa escolha consciente, mas também daquilo que a vida nos vai despertando.
Então, nesta perspetiva, deixa de haver aquela ideia de que andamos para trás quando voltamos a reincidir em algo que pensávamos que já tínhamos ultrapassado. Não há um andar para trás e para a frente, mas sim uma espiral.
Isto faz-me sentir num ser em permanente transição e que cada um, na sua escala, faz a diferença nos outros e no mundo que está à sua volta. 
Na verdade, vimos todos do mesmo e vamos todos para o mesmo. 

Desconstrução do Patriarcado

Neste retiro demos mais um passo na descontração do patriarcado. Como surgiu, de onde veio esta ideia de que o homem veio para dominar e a mulher para servir, que ainda acontece em tantas culturas, até mesmo na nossa. Ficámos a perceber que esta ideia de mais forte e mais fraco, de dominante e dominado não foi sempre assim e que em civilizações mais antigas, o papel da mulher era altamente sagrado.

Já partilhei antes que de facto esta “luta” nunca foi vivida por mim duma forma muito acesa. Talvez por eu considerar ter crescido numa família em que não sentia essa desigualdade. A minha mãe sim, era anti-patriarcado e assumiu durante vários anos cargos que eram destinados, na maior parte das vezes, a homens. Era uma guerreira que lutou sempre imenso contra isso. Se calhar por isso eu nunca senti essa luta como minha, porque senti que esse espaço das mulheres já tinha sido conquistado. No entanto, em adulta, a vida foi-me apresentando vários contextos onde percepciono essa desigualdade e, muitas vezes, parece-me que o (meu) mundo andou para trás. Talvez seja o momento de valorizar e honrar essa luta da minha mãe e de todas as mulheres que se sacrificaram, para que hoje tenhamos um mundo um pouquinho mais igualitário. Lutas que tantas vezes achei exageradas e, até, com uma atitude mais de oposição do que de propriamente de construção, mas hoje percebo que para se construir, muitas vezes tem que se destruir primeiro. E vejo o quão importantes foram estes exemplos, para hoje grande parte de nós, mulheres ocidentais, termos o privilégio de vivermos num mundo que está longe de ser igualitário em alguns níveis, mas que está bem mais próximo disso do que há uns anos atrás.

Percebo hoje, para mim, que a forma de eu lutar contra isto é nas mais pequenas coisas do dia-a-dia, começando pela minha própria desconstrução do que é ser homem e mulher e, depois, começar pouco a pouco a ganhar mais respeito e amor por mim, de tal forma que não permita que o outro abuse. É importante que entendamos que as nossas necessidades e limites nunca vão ser impostas pelo outro. São sempre por cada um de nós e esse é um longo caminho de amor próprio que cada um de nós tem a responsabilidade de fazer, sendo homem ou mulher, para que se sinta sempre amado e respeitado. O amor e o respeito começa em cada um de nós.



E quanto aos homens? Como terá sido o percurso deles? Uma vidinha fácil, enquanto seres dominantes, certo?

Pois, aqui é que entra a minha mais recente descoberta. Sair da minha perspetiva de vítima e entrar na perspetiva do outro.

Ouvimos falar em emancipação da mulher, em programas de empoderamento para as mulheres, em círculos de mulheres... E para os homens? Nada, eles até estão demasiado empoderados, não é?

Pois não foi essa a perceção que recebi destes e de outros homens com quem tenho tido o privilégio de contactar nos últimos anos. Homens que também não querem o patriarcado, mas que sofrem na pele as assunções que nós, mulheres, que apesar de já não querermos o patriarcado, ainda o vivemos no nosso corpo e nas nossas células e que, por isso, os abandonados antes de sermos abandonadas, os rejeitamos antes de sermos rejeitadas e que tantas e tantas vezes nos recusamos receber e entregar com medo de não conseguirmos impor limites, nos perdermos e sermos magoadas.
Também nós somos parte deste cenário, que é em si uma faca espetada ao coração de um homem, que porque sangra silenciosamente (lembrem-se “os homens não choram”) não dói menos.

Já existe muita consciência do que é preciso para respeitar uma mulher, de como a abordar com respeito e amor, mas ainda se sabe muito pouco do que um homem precisa para ser tocado no seu coração. Eles próprios estão ainda a descobrir, depois de tantos anos a negarem as suas próprias emoções, porque “homem não chora”, “homem é duro”, “homem aguenta tudo”.


Tenho vindo a descobrir que este é um tema extremamente sensível, que gera imensa dor. Nas mulheres, muitas vezes em forma de gritos de raiva, e nos homens em forma de mágoa silenciosa. Cada um reage à sua maneira, em igual sofrimento.

Como lembrou a nossa querida Alexandra Carmo no nosso círculo de mulheres, o masculino perdeu a conexão ao seu coração, às suas emoções, e o feminino perdeu conexão ao seu poder pessoal, à sua voz. Foi uma forma de sobrevivência, uma adaptação aos tempos que vivemos.
Eles têm um trauma no coração e nós no útero, onde guardamos tantas emoções de abuso ao longo de tantas e tantas gerações...

Assumir o nosso papel de responsabilidade, o nosso poder e sair do papel de vítima é muito importante. Porque quem alimenta uma relação vítima - abusador está na mesma energia. Se estivesse em amor não ficava...

Depois de todas estas mulheres que foram à nossa frente lutar por todas nós, começa a chegar o momento de nos unirmos. Não foi o "Joaquim" nem o "Manuel" que nos magoou. Foram as memórias dos antepassados do "Joaquim" e do "Manuel". Eles estão em sofrimento tal como nós que fomos magoadas. Eles cumpriram um legado de dominar e nós cumprimos um legado de sermos dominadas e maltratadas, tal como os nossos antepassados também o fizeram.

Chegou o momento de nos juntarmos, homens e mulheres, na construção de um novo paradigma, uma nova forma de nos relacionarmos!

Para trabalhar estes temas recomendo o trabalho do Rui Estrela e os retiros do José Pinto, do Raiz do Homem, onde se pode perceber melhor a complexidade deste tema e, inclusivamente, vivenciar rituais de perdão, que nos podem ajudar imenso no nosso processo de cura.


O poder dos rituais

Outra coisa que tenho vindo a descobrir é o poder que os rituais têm na nossa vida. Sejam os rituais que nos iniciam em alguma coisa (um casamento, por exemplo), sejam os que nos ajudam a terminar ciclos (um funeral, por exemplo). 
Eles ajudam-nos de facto a marcar um momento de mudança na nossa vida. Ajudam-nos a despedirmo-nos de quem temos que nos despedir, de largar o que precisamos de largar e de acolhermos o novo.

Infelizmente muitas destas tradições foram perdendo lugar na nossa vida atarefada, tornando a nossa vida também muitas vezes tão confusa.

Apercebo-me agora que ritualizar tudo o que são insights e passos relevantes na nossa vida é importante. Não há uma forma correta para se ritualizar nada, cada um tem a sua forma de ritualizar e de integrar experiências, mas é importante marcar, para que no nosso mindset também haja uma resposta mais integrada à realidade que vivemos no presente e às mudanças que vamos consumando na nossa vida.

Ritualizar os começos, mas também os fins de ciclo

Dou conta também que o início de algo parece ser sempre um motivo de festa e no fecho dos ciclos focamo-nos na perda como algo negativo. Ritualizar um divórcio pode ser tão importante quanto ritualizar uma morte com um funeral. O intuito é o mesmo: de celebrar e honrar os momentos que passámos juntos e pedir paz para o nosso caminho e o caminho do outro.

Neste retiro usamos um círculo de fogo para largarmos tudo aquilo que já não precisamos nas nossas vidas nem no mundo, dançamos as danças da paz e voltamos ao fogo para lhe pedir o resgate duma nova versão de nós.
Quem olha de fora, ou quem lê estas palavras fora do contexto pode achar ridículo, mas digo-vos, a nossa mente cria tudo, mesmo tudo, dentro de nós e à nossa volta. Cria histórias sobre a nossa vida, sobre a vida dos outros, cria doenças e gera sensações incríveis no nosso corpo...
A nossa mente cria tudo! Por isso parece-me inteligente usá-la a nosso favor para marcarmos momentos de mudança na nossa vida, para ressignificarmos histórias do passado e construirmos o nosso futuro.


Então e "Como é que se vive depois desta experiência?"

Uma pergunta que me fez alguém que foi a um retiro pela primeira vez e que me deixou muito a pensar.

A minha primeira reação foi reviver a magia que senti a minha primeira vez que estive em retiro. Wow! Foi mesmo uma descoberta maravilhosa! O mundo tinha que saber que isto existe! Tanto amor, tanta conexão e tudo o resto perde valor na nossa vida.

E logo a seguir veio tristeza. Já não sinto esse sentimento maravilhoso da novidade, que nos assalta. Sabem aquela sensação de quando descobrimos o sentimento de estarmos apaixonados pela primeira vez? É maravilhoso…
E a seguir o julgamento de que se não sinto isso se calhar há algo de errado em mim.

Mas não, não há nada de errado. Na verdade, o meu lugar neste sistema mudou. Já participei em vários retiros e já ajudei muitas pessoas a organizarem e facilitarem retiros. O meu olho crítico está muito lá e a minha visão já não é de uma mera participante. E, na verdade, quero muito iniciar-me nesta jornada de criar as minhas próprias experiências e de entregar mais daquilo o que tenho vindo a aprender.
Está na hora de voar, borboleta... 🦋


O meu projeto: Círculos do Despertar

Então o meu grito final deste retiro foi partilhar com o grupo que finalmente me sinto suficientemente preparada e pronta para dar este passo, que na verdade já aconteceu com os círculos do despertar que já comecei a organizar desde o início deste ano, e que só estava mesmo a faltar anunciar ao mundo este meu novo lugar.

Depois de receber tantos ensinamentos e tanta inspiração, chegou o momento de eu também ser veículo de inspiração e de ajudar outras pessoas no seu processo de autodescoberta.

Já está disponível na internet mais informação sobre estes círculos e sobre as minhas propostas, por isso se tens interesse recomendo-te leres o artigo Raquel Círculos do Despertar e preencheres os teus dados no Formulário de Inscrição Círculo caso queiras participar num dos círculos.

E assim sigo, em mais um voo na minha vida. Sempre acompanhada do meu querido medo, mas vamos com tudo, mesmo com medo! 🙏


Agradecimentos  

Grata ao José Pinto do Raiz do Homem, à maravilhosa equipa de facilitadores, da cozinha, ao Alexandre que amavelmente nos acolheu no seu espaço, a todos os participantes, e ao querido Luís Ferreira, que fez esta excelente reportagem fotográfica. Todas as fotografias que partilho neste artigo foram tiradas por ele 🙏



Outros artigos que te podem interessar

Cada vez mais me identifico com práticas vivenciais e de trabalho com o corpo, ao invés de racionalizar e de trazer à mente o nosso próprio processo. E foi precisamente nessas atividades que consegui encontrar o meu fio condutor e entregar-me a esta experiência de retiro.

Sobre este tema da importância do trabalho com o corpo para fazermos reais mudanças na nossa vida, convido-te a leres o meu artigo Retiro Vivencial: Trabalho Mente vs. Corpo.

Partilho contigo um dos artigos mais autênticos e vulneráveis que escrevi no meu blogue, sobre o retiro transformador em que participei, no âmbito da formação de Facilitadores do Despertar:

Se procuras outras experiências de desenvolvimento pessoal e retiros, recomendo-te leres os artigos das etiquetas:


Beijinhos e abraços!

Encontramo-nos na próxima história de desenvolvimento pessoal 😉

Raquel
Digital Nomad, Blogger, Traveller, House & Pet Sitter

julho 08, 2022

Retiro Morrer para Renascer, com Inês Gaya

Retiro Inês Gaya - Gaya Circle 2022

Olá, bem-vindos! Escrevi este artigo para partilhar a minha experiência como participante num retiro de 3 dias da Inês Gaya, cujo tema foi centrado no processo de morte e de renascimento, de cada vez que queremos largar algumas partes de nós, para abraçarmos o novo, novas versões de nós mesmos. 
Basicamente, a Morte e o Renascimento significam aqui um Processo de Transição Interior e eventualmente de Mudança de Vida.

Este retiro aconteceu na maravilhosa Quinta Carvalhas e foi exclusivo para alunos do Gaya Circle - Facilitadores do Despertar, uma formação que tenho estado a fazer para me ajudar a organizar, conduzir e facilitar retiros e círculos de partilha e de cura em grupo.
Este retiro aconteceu no quarto mês da nossa formação de Facilitadores do Despertar e foi um culminar de toda a transformação que temos vindo a fazer ao longo destes meses.


Círculos do Despertar

Se quiseres saber mais sobre esta formação, recomendo-te leres o artigo Raquel Círculos do Despertar e se te quiseres inscrever num próximo círculo que eu organize, por favor preenche os teus dados no Formulário de Inscrição para Círculo do Despertar.



Neste artigo vou partilhar:

  1. O Tema do Retiro: Morrer para Renascer
  2. A Viagem e os meus Insights
    - O que aprendi com esta experiência
    - Então o que preciso de deixar morrer e de libertar?
    - É fácil acusar um projeto ou uma pessoa da nossa "morte"
    - A morte não é necessariamente um lugar de medo e de dor
    - Precisamos de nos render para crescer
  3. Conclusão e Agradecimentos


1. O Tema do Retiro: Morrer para Renascer

Só quando chegámos ao retiro é que ficámos a saber que o tema era sobre a Morte e Renascimento, e não podia ser mais ajustado à realidade de transformação que temos vindo a fazer. Era mesmo necessário largar algumas partes de nós, para acolhermos a mudança e novas versões de nós mesmos. E não podia estar mais alinhado com o tema que mais me apaixona na vida: a Transição Interior, a Mudança de Vida.


O Método Gaya

O Método da Inês Gaya utiliza como base a premissa de que "só conseguimos levar alguém aonde nós próprios já fomos". Ou seja, podemos ter muito conhecimento sobre um tema, mas só conseguimos converter esse conhecimento em sabedoria quando realmente experimentamos e vivenciamos na nossa pele o processo de transformação inerente.

Por esta razão, é um método onde, antes de tudo, somos convidados a viver uma intensa jornada de transformação pessoal, e é com base nessa vivência que poderemos vir acompanhar e facilitar a jornada de transformação de outras pessoas.

Este método utiliza muito os rituais, com mensagens fortes e impactantes que falam diretamente ao nosso coração, ao invés de analisarmos e de racionalizarmos o nosso processo de mudança interior. Não descurando essa parte mais analítica, que é importante, tenho percebido que por mais que entendamos a razão que nos leva a ter determinados pensamentos e comportamentos, se o nosso coração e as nossas emoções não estiverem alinhadas nesse mesmo sentido, não vamos conseguir uma mudança efetiva na nossa vida.

Este retiro focou-se exatamente neste processo de morte de nós mesmos, para o renascimento de uma nova versão de nós, utilizando experiências muito variadas, desde rituais, música, expressão corporal, trabalho de respiração, constelações, meditações guiadas, momentos de partilha, entre outras.



2. A (minha) Viagem e os meus Insights


O que aprendi com esta experiência

Antes de tudo, gostava de deixar aqui claro que toda esta partilha vem do meu próprio olhar e experiência neste retiro, que será necessariamente diferente de qualquer outra pessoa que tenha participado na mesma experiência.
Convido-te assim, a entrares pela porta do meu olhar e a veres o mundo à minha maneira 👀💞


Honrar os nossos antepassados

Como não há nova versão de nós mesmos sem olhar e honrar a nossa versão anterior e os nossos antepassados, começámos por trazer ao círculo a presença dos nossos pais, dos nossos avós e bisavós, que de alguma forma estão muito presentes na vida que temos hoje. Pelas suas histórias, projetos sonhados e interrompidos, que nos trazem tantos padrões que adotamos como nossos, quando na verdade foram-nos apenas passados. Cada um de nós tem o poder de escolher, conscientemente, o que quer e não quer levar consigo para o seu caminho. Como peregrina, trago muitas vezes a analogia da minha experiência de fazer os Caminhos de Santiago. É uma revisão "da nossa mochila" que podemos fazer de tempos em tempos, tal como quando fazemos uma arrumação geral da nossa casa de vez em quando.
Fizemos um ritual de perdão aos nossos antepassados, onde de alguma forma me consegui conectar com a minha mãe, que faleceu há 8 anos, e fazer de novo uma despedida amorosa.


Honrar o masculino e o feminino

Neste processo de perdão incluímos também um ritual de perdão ao masculino e feminino. 
Nunca fui muito ligada às causas da igualdade de género e sempre achei a minha família muito emancipada, não sentindo muito na pele essas desigualdades. Mas agora enquanto adulta tenho uma visão diferente. Às vezes são questões tão subtis que nos foram passadas, que nem damos conta.

É difícil resistir a essa arrogância que nós, mulheres, muitas vezes temos para com os homens. Uma reação que veio, claro, pela repressão que sofremos nas gerações passadas, e que agora queremos mostrar que somos fortes e que não precisamos deles para nada.
Lembro-me que durante vários anos, o meu desporto favorito era ganhar corridas de karts aos homens. Quando eu tirava o capacete e viam que tinha sido uma mulher a ganhar a corrida, eu ficava cá com um ego inchado! Até que houve um dia que um homem me venceu: o Daniel, hoje meu companheiro de vida 😄💖

Eles também trazem muita carga em cima, de uma figura que tem que revelar poder e força quanto baste, sem ser em demasia, senão rapidamente passam por "broncos machistas". "Homem não chora", "Homem não pode mostrar as suas fragilidades, senão não é homem"...
Compreender a necessidade de empoderamento das mulheres de hoje, é compreender a necessidade de vulnerabilidade dos homens.

Muitas feridas e mal entendidos se vêem nas relações de hoje, que vêm de tantas crenças que temos! Que não são nossas... E que representam os desequilíbrios que vivemos dentro de nós mesmos, entre a vontade de dar e o merecimento de receber, entre a vontade de conduzir e controlar e a maravilha que é entregar-me e vulnerabilizar-me!...
Dentro de cada um de nós existe um homem e uma mulher, que esperam ser vistos, respeitados e amados por nós mesmos. 

Confesso que nunca me dediquei muito a este tema, mas acho-o fascinante e por isso ainda este mês vou participar num retiro só dedicado ao tema do Sagrado Masculino e Feminino.


Honrar o dar e o receber

Durante os exercícios notei em mim dificuldade em receber. Um desconforto. Para mim é muito mais natural e confortável dar e fazer acontecer. Como eu costumo dizer, "se ficar a dormir não acontece nada".
Isto é bonito de se dizer, fica bem, mas é apenas para fora. Cá dentro gostaria bem mais de estar num lugar em que aceito que posso receber, que mereço esse carinho e esse cuidado e desfrutar, sem culpa e sem comparações. Às vezes isso é possível, outras vezes não. A seu tempo, no caminho para esse equilíbrio...

Vi neste exercício como equilibrar estas energias do masculino e do feminino pode ser tão importante dentro de cada um de nós.


Então o que preciso de deixar morrer e de libertar?

Num primeiro momento do nosso processo de morte, foi-nos questionado o que é que cada um de nós precisava de libertar e eu senti que é uma parte da vida que construí nos últimos 8 anos. Uma vida que construí com muita liberdade, muito amor e em consciência, que me fez muito sentido durante vários anos, mas que agora precisa de ser transformada em algo diferente. Abre-se uma nova fase de exploração e uma vontade de experimentar novas versões de mim.

E estou feliz por poder partilhá-las contigo, por te levar comigo neste meu voo de transformação!
Começando por anunciar o meu novo projeto: Círculos do Despertar, que consiste em facilitar o processo de despertar e de transformação de outras pessoas.
Foi escrito depois de terminado este retiro, num verdadeiro acto de renascimento 💖


É fácil acusar um projeto ou uma pessoa dessa nossa "morte"

Dei conta que nestes períodos de mudança interior é muito fácil acusar um projeto ou uma pessoa dessa nossa "morte". É o trabalho que já não nos motiva, é a relação amorosa, é o projeto onde estamos envolvidos, ... E pensamos que se sairmos desse trabalho, dessa relação, desse projeto, ou que se nos sair o Euromilhões vamos ficar com os nossos problemas resolvidos.
Mas essa parte terrena é apenas uma cara, uma representação material que nos liga àquela experiência. Na verdade, o que queremos mudar é a nossa presença nesses contextos. É a forma como estamos e como lidamos connosco e com os outros. Queremos uma nova versão de nós, e é bem difícil fazê-lo, porque a dinâmica tem uma força tal, que já se faz automaticamente sozinha, e se queremos fazer diferente, sabemos que vai ser um caminho exigente e que vai ser para toda a vida. Mas que vai ser altamente compensador e único, porque é o caminho da nossa verdade!


A morte não é necessariamente um lugar de medo e de dor

Neste retiro pude lembrar-me que a morte e os períodos de transição de vida não têm que ser vividos com sofrimento. A minha mãe tinha-me ensinado isso quando teve uma experiência de quase morte, em que sentiu uma paz imensa. O pior, disse-me ela na altura, foi o regressar à vida, com as dores no corpo que tinha.

Os nossos processos de transição de vida poderiam ser muito mais prazerosos se nos víssemos merecedores da nossa própria evolução, se pacificamente aceitássemos o medo que todos sentimos do que podemos perder quando damos um salto e arriscamos no escuro. Na verdade, só morre em nós aquilo que já não nos faz falta. E do outro lado desse salto só conseguimos encontrar aquilo que verdadeiramente somos, a nossa Essência, o Amor.

Por experiência própria deste processo de transição de vida, posso dizer-vos que depois desse salto vem um sentimento de alívio, de paz e de completude. Eu sinto-me feliz e completa só pelo facto de existir, sem fazer mais nada. Estar comigo é suficiente e nada mais importa. 

E chorei, chorei muito ao reconhecer esta sensação de completude em mim, porque passo a maior parte do tempo a querer ser mais, a ter que fazer muito para me sentir produtiva, com valor, para ser amada e reconhecida. Para existir...
E de repente, puf! Está tudo cá dentro de nós! Nós somos e temos tudo o que precisamos e esquecemo-nos tantas e tantas vezes disso...

E é nesse preciso momento que a pequena borboleta solta as suas amarras e está pronta para sair do seu casulo e voar! 🦋

Tudo se trata de fé, de confiar na vida, de confiar que a vida é amor, mesmo quando sofremos. Porque a dor traz evolução, traz luz, traz novas versões de nós, traz coisas que nunca imaginávamos vir a viver e sentir. A dor pode trazer realmente magia na nossa vida, se nos permitirmos viver a experiência com o nosso coração aberto.
Há uma frase da Maria Gorjão Henriques que gosto muito: "a dor é inerente à nossa condição humana, todos sentimos dor, mas convertê-la em sofrimento é uma escolha nossa". E eu acrescentaria aqui a frase da Inês Gaya: "transformar a dor em dom". 
Então esta é a nossa escolha, todos os dias, de transformar a dor em sabedoria e em dom.

Escrevo isto, para que me possa também lembrar nos momentos em que me esqueço e me deixo levar pelo sofrimento.

Ter dor é estar vivo e uma vida em que nos sentimos vivos é uma vida com uma paleta completa, com todas as cores. É uma vida rica!



Precisamos de nos render para crescer

O nosso lado masculino está exacerbado, é preciso dar espaço à doçura e à vulnerabilidade.

Apesar de neste texto estar a expor alguma da minha vulnerabilidade, eu cresci também num espaço onde mostrar a minha vulnerabilidade era perigoso, era um sinal de "presa à vista".

Muitas vezes fui gozada, passada por cima, por ter exposto a minha vulnerabilidade. E ainda hoje isso continua a acontecer de vez em quando. A questão é que eu, ao vulnerabilizar-me, estou a permitir-me crescer, e são mais as pessoas que se juntam a mim a vulnerabilizarem-se do que as que se juntam para ridicularizar. Porque eu acredito que a vulnerabilidade, quando vem de um lugar centrado e consciente, baixa as armas. As nossas e as de quem está à nossa volta. E muda o mundo!

Precisamos de nos render para crescer. Render ao que pensamos que a nossa vida e a vida dos outros deveria ser. Não sabemos tudo e não faz mal. É o que não sabemos que nos permite evoluir e sermos melhores. Desfruta desta experiência de aprendizagem, deste não saber, desta curiosidade da vida! Se nos permitirmos, a vida surpreende-nos!

E se estás ainda a ler este texto é porque te identificas, é porque há algo em ti que também se quer vulnerabilizar e sair cá para fora. Não há processo de cura, de libertação sem essa vulnerabilização. É isso o que nos faz crescer e evoluir para outros patamares. É o teu momento de te renderes!
Escreve uma mensagem a quem / ao que te precisas de render e/ou perdoar. Entrega-a a essa pessoa, ou simplesmente guarda-a para ti e queima-a uns dias depois como sinal de transmutação. Este é um pequeno exemplo do poder dos rituais.



3. Conclusão e Agradecimentos


Largar a imagem de guerreira

Senti que uma parte de mim que precisava de largar era a imagem da guerreira, forte, controladora, que gere tudo à minha volta, que faz mexer e acontecer, que aos olhos de muitos parece ter um construído um modelo ideal de vida, mas que na realidade não é, nem pretende ser perfeita. 

Desejo que este texto que escrevo reflita esta permissão de estar num olhar curioso sobre a vida, de estar aberta a uma nova versão de mim, num lugar de curiosidade, libertação e de aceitação do que vier.

Agradecimentos

Como diz o meu amigo Victor Valdemar, que facilita círculos de homens, "este é apenas o início de uma viagem, onde nos iremos cruzar muitas vezes, neste trabalho de espalhar pó de estrelas, brilhos de fadas ou simplesmente agitar e espicaçar consciências adormecidas".
Ou como diz o Pedro Rodrigues, que de forma muito doce cofacilitou esta viagem com a Inês, "gratidão a todos os que formaram este circulo lindo, que transformaram dor em amor, tristeza em alegria, máscaras em verdade, medos em coragem de ser, e por estes dias se permitiram ser em essência."

Sabe bem estar neste processo de autodescoberta convosco, em comunidade. Grata a todos os que participaram nesta intensa jornada e em especial à Inês Gaya e ao Pedro Rodrigues, que conduziram esta grande viagem com muito amor, ajudando a transformar cada lágrima em cura.
Grata ainda ao Pedro pelo registo fotográfico. Todas as fotografias deste artigo foram facultadas por ele 🙏

Grata a ti, por leres as minhas epifanias e grata a mim por tê-las escrito. São, antes de tudo, um exercício de integração e de inspiração para mim 🙏



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Se procuras outras experiências de desenvolvimento pessoal e retiros, recomendo-te leres o artigo Raquel Círculos do Despertar e os artigos das etiquetas:

Se te quiseres inscrever num próximo círculo que eu organize, por favor preenche os teus dados no Formulário de Inscrição para Círculo do Despertar.


Beijinhos e abraços!

Encontramo-nos na próxima história de desenvolvimento pessoal 😉

Raquel
Digital Nomad, Blogger, Traveller, House & Pet Sitter

junho 15, 2022

InterPlay: O que é que o teu corpo te diz?

Comecei o dia com um círculo de InterPlay, uma ferramenta que nos ajuda a explorar a criatividade e novas possibilidades através do movimento corporal, story telling e do som.
Este evento gratuito faz parte do círculo mensal da GENOA (Global Ecovillage Network Oceania & Asia), que acontece todas as luas cheias, com o intuito de nutrir o nosso bem-estar e a paz no mundo.

Estiveram presentes pessoas de todo o mundo e eu fiz par numa atividade com uma pessoa que vive numa ecoaldeia na Austrália.
Foi espetacular 🤗


Desde pequenos somos habituados a decidir as coisas pelo raciocínio, pela lógica. Quando quero decidir uma situação mais complexa muitas vezes coloco num papel os prós e contras e tento fazer um balanço. E fico neste plano mental.
Comecei a reparar que muitas vezes, ainda assim, era difícil chegar a uma decisão. A decisão lógica e racional levava-me para um lado, mas a excitação e o entusiasmo levavam-me para o outro. Outras vezes era uma névoa. Dava tantas voltas à cabeça e quanto mais pensava, mais confusa ficava. Já nem sequer sentia atração ou repulsa por nenhum dos dois lados.

A falta de resposta na mente tem-me feito ir à procura de outras formas de me ouvir, nomeadamente o corpo. Estamos tão habituados às palavras e o corpo diz tão mais sobre nós! (E olha que eu falo pelos cotovelos 😅)

Hoje começo a perceber que quando penso numa coisa que me dá uma volta na barriga, aumenta-me o ritmo cardíaco, deixa-me excitada ao mesmo tempo com medo, envergonhada, e a minha mente diz "acalma-te, isso era muito fixe, mas não é assim tão fácil, isso não é para ti". É sinal de que é ali que está a minha paixão, a minha oportunidade de crescer e de viver a vida no seu potencial. Independentemente das razões mais ou menos lógicas, o meu caminho é por ali.

A partir daí é ir dando passos nessa direção. Os passos que forem mais confortáveis dar naquele momento da minha vida. Dificilmente me atiro de cabeça para alguma coisa, mas a vida faz o trabalho de constantemente me mostrar o caminho do meu coração, seja através de sentimentos de vazio, de dúvida e dilema, de frustração, ou de sentimentos de excitação e de luz, oferecendo a oportunidade de, a cada momento, dar mais um passinho na sua direção.

O segredo é sermos gentis para connosco e nunca nos abandonarmos a nós e aos nossos sonhos. Seguir o coração é uma grande arte, que para a maior parte de nós é uma aprendizagem para toda a vida.
Contentamo-nos com aquilo que nos é dado, pensando que a vida é difícil, é dura, e há um sacrifício adjacente. E a vida é apenas uma dança, que pode ser divertida, leve e criativa. Tudo depende da forma como a escolhemos dançar...

O que é que o teu corpo diz ao ler este texto? Notas alguma reação? Traz borboletas na barriga? Que imagens ou sentimentos foram despoletados? O que querem eles dizer sobre ti e sobre o que ainda queres fazer?

Pára uns segundos e escuta. O teu coração está a falar contigo 💕



Se quiseres saber mais sobre InterPlay, deixo abaixo uma breve descrição e os sites para saberes mais:
"Play is a deceptively simple, yet powerfully transformative activity. It happens in an atmosphere of high appreciation and low expectations. Time slows down by the virtue of being present in our bodies and present to each other and in this newfound spaciousness stress dissolves, our conditioned reactivity is held and we are curious and playful again. Our innate creativity comes alive and we experience ourselves as storytellers, musicians, dancers and poets. As Creators, not only consumers of art.
We open and improvise; we pause, breathe, not-know and meet what is given in a new way.We create future, not just repeat the past.
This 1hr session will give a taste of InterPlay while exploring the theme of Belonging through simple body-based forms of movement, sound, and story. Incrementally and with ease."


More about InterPlay:
https://vimeo.com/392796580
https://www.interplayaus.com.au/



Encontramo-nos na próxima descoberta inspiradora 😉

Raquel
Digital Nomad, Blogger, Traveller, House & Pet Sitter

março 28, 2022

Mindful Workation para nómadas digitais na Gran Canaria

Como podemos ter uma vida equilibrada, conectada e consciente enquanto trabalhamos pela internet?

Escrevi este artigo para partilhar a minha experiência num retiro direccionado a Nómadas Digitais, que incluiu práticas de Mindfulness e Mastermind. Para quem está habituado a estes termos, eu chamaria a esta experiência de Mindful Workation para nómadas digitais, com Mastermind. Mas vou explicar abaixo cada um destes termos e em que consistiu, afinal, esta experiência.

O retiro aconteceu numa quinta lindíssima no sul da ilha da Gran Canaria, após uma conferência de dois dias: Thriving Nomads Conference 2022, com a qual também colaborei.

Esta experiência surgiu de uma colaboração entre os Thriving Nomads e Boderless Retreats e o objetivo do evento foi de juntar pessoas de todo o mundo que trabalham remotamente em projetos de impacto social e ambiental, para trocarem ideias e experiências, inspirações, e pô-las a trabalhar em conjunto, num modelo de vivência comunitária, onde se combina um estilo de vida de trabalho remoto com práticas de mindfulness e de bem-estar. 

Este artigo é para ti? Este artigo pode ser interessante se gostas de desenvolvimento pessoal duma forma geral, ou se recentemente começaste a trabalhar de casa, em teletrabalho, e estás a deparar-te com alguns desafios em termos de equilíbrio pessoal. Se procuras começar a trabalhar online, podes ter aqui alguma inspiração sobre este estilo de vida e com que comunidades te poderás relacionar.
Vou então explicar um pouco melhor estes conceitos, que integram várias áreas, e partilhar um pouco a minha experiência.



Neste artigo vou partilhar:

  1. O que me levou a participar nesta experiência
  2. Workation para nómadas digitais, o que é?
  3. Mindful Workation com Mastermind, em que consiste?
  4. Os meus melhores momentos
  5. O que aprendi com esta experiência
  6. Como manter o espaço de retiro vivo por mais tempo?
  7. Conclusões

1. O que me levou a participar nesta experiência

Como sabes, há vários anos que tenho vindo a viajar e a explorar projetos de impacto social e ambiental, comunidades sustentáveis, práticas de bem-estar no corpo e mente, sempre nesta missão de ir construindo o meu próprio estilo de vida.

Quando soube que o meu amigo João Mendes e a sua equipa dos Thriving Nomads estavam a planear organizar um evento para nómadas digitais, onde iriam integrar todas estas dimensões, achei que era a minha cara e imediatamente prontifiquei-me a ajudar na organização.


2. Workation para nómadas digitais, então o que é?

Um nómada digital é alguém que, porque trabalha pela internet e não depende duma localização geográfica fixa, utiliza essa liberdade para viajar de forma contínua.

A palavra workation vem de work (trabalho) + vacation (férias) e, no fundo, pretende ser um programa para quem trabalha remotamente poder ter uma experiência de grupo que combina momentos de trabalho e de férias em conjunto.

Estes programas surgem muitas vezes para combater o sentimento de solidão de quem trabalha online, muitas vezes sozinho em casa, e também como uma expansão da rede de contactos e networking para empreendedores e freelancers.




3. Mindful Workation com Mastermind, em que consiste?

A ideia foi então associar a uma Workation um programa de Mastermind, ou seja, momentos de partilha e colaboração entre os projetos dos participantes. Cada pessoa traz um objetivo de trabalho para cumprir no final daquele tempo e usa as sessões de Mastermind para trocar experiências e visões, fazer parcerias e criar, sobretudo, um sentimento de compromisso de grupo.

Num espaço como este, onde a inteligência e o poder coletivos são efetivamente alavancados, o crescimento torna-se inevitável. Alguns decidiram concentrar-se em temas profissionais, como desenvolver um projeto de marketing social, ou desenvolver novas áreas para o seu negócio, enquanto outros se concentraram em temas mais pessoais, como por exemplo a criação de um blogue pessoal. 
No último dia do retiro reuniram-se para partilhar resultados, dar feedback uns aos outros e definir o que fazer daqui para frente. 

Destes dias de trabalho na quinta surgiram vários novos projetos e ideias. Nomeio, por exemplo, o blogue pessoal da Caroline. Já há muito tempo que a Caroline queria criar um blogue pessoal para partilhar as suas experiências, mas faltava-lhe o impulso. Sabia exatamente o que precisava, tinha o material que precisava, mas faltava-lhe criar esse espaço na sua vida e algo que a "obrigasse". A workation foi o momento certo para o fazer!

Todos aprenderam uns com os outros e saíram mais ricos desta experiência.




Tivemos ainda uma palestra presencial do Daniel Herrera da Comunify sobre a gestão de comunidades de impacto positivo em plataformas descentralizadas. Pertinente, nos tempos que correm, sabermos que existem plataformas sobre as quais temos mais poder e controlo, não estando à mercê dos grandes grupos de controlo de informação.




Associamos ainda momentos de práticas Mindfulness, como por exemplo, Meditação, QiGong, Breathwork, Mindful Walk, Ecstactic dance, envolvidas num espaço seguro, desenhado para promover a empatia, a conexão e o trabalho de grupo, tão característicos de um Retiro.




É um programa inédito, que uniu o projeto Thriving Nomads com Boderless Retreats. O primeiro focado mais nas atividades de mastermind entre projetos de impacto social e ambiental e o segundo mais focado na integração desta componente mais de negócio com um estilo de vida saudável no corpo e mente.
Um match verdadeiramente explosivo e essencial para viver uma vida equilibrada!



4. Os meus melhores momentos

Houve um dia especialmente maravilhoso, desde que acordei até que me fui deitar.
Começamos o dia com breathwork e, após esse trabalho de respiração, senti-me em paz. Consegui fazer o meu Journaling à tarde, ao sol, e terminámos o dia a cantar e a dançar.
O momento mais alto foi entre a equipa de organização, tendo sido já os últimos a fecharem a "pista de dança", abraçados a cantarmos de forma emocionada a música "New York New York", de Frank Sinatra. Foi um "well done team"! Estamos Juntos!
É muito bom quando a malta que organiza está realmente a vibrar e a desfrutar daquilo que organizou!




5. O que aprendi com esta experiência

A importância de nutrir a equipa

Uma das coisas que fizemos diariamente foi um check-in rápido da equipa. Todos os dias de manhã encontravamo-nos para nos organizarmos em termos de tarefas e ver como cada um de nós estava.
Penso que ter momentos em que nutrimos a equipa de organização é muito importante, porque essa nutrição e conexão irá expandir-se também para o grupo. Ninguém consegue oferecer nada que não tenha em si mesmo, portanto nutrirmo-nos a nós primeiro faz muito sentido, para que possamos nutrir as pessoas que estão à nossa volta.
Na minha opinião, esta deveria ser a forma como todas as empresas vêem os seus colaboradores...


A importância da Organização também participar

Um dos aspetos positivos mencionados pelos participantes desta experiência foi o facto da equipa de organização ter participado nas atividades e, para mim, é assim que faz sentido e é assim que se cria um espaço seguro e de empatia, fazendo todos parte do processo de crescimento coletivo. Dando o nosso exemplo, entregando aquilo que fomos aprendendo e estando disponíveis para receber e aprender, como qualquer outro participante.

Para mim, organizar um retiro é viver uma experiência enquanto comunidade de crescimento. E nós somos apenas as pessoas que proporcionam e seguram o espaço para que a magia possa acontecer.


Organizar retiros

Como estive a participar na fase anterior ao retiro acontecer, na procura do espaço, logística da alimentação, espaço, etc, acompanhei mais de perto este trabalho. E, durante o próprio retiro, aprendi muito com as dicas valiosas da Boderless Retreats, que tem uma forma de criar e abordar os retiros que ressoa muito comigo.


A comunidade é o elemento mais importante

Muito mais do que as condições do espaço, a comida ou as mordomias, as pessoas valorizam a experiência em comunidade. Pertencerem a algo, sentirem-se bem recebidas, aceites, sentirem que têm ali um espaço em que podem ser elas próprias, podem participar, crescer, expandir e estabelecerem relações mais profundas.
Sem destituir a importância duma boa qualidade de serviço, aquilo que fica na memória das pessoas é a conexão e a emoção. É aquilo que conseguiram trocar através do seu campo emocional. É disso que vêm à procura e é disso que se vão lembrar quando regressarem a casa.



5. Como manter o espaço de retiro vivo por mais tempo?

Como podemos trazer este estado e estes insights que temos num retiro, para a nossa vida do dia-a-dia? 

Um dos desafios é sempre o depois, como continuar esta dinâmica, este espaço seguro e de colaboração que aqui criamos? 

Esta tem sido uma questão que tem desafiado a Boderless Retreats a pensar em formas de manter esta comunidade viva fora do espaço de um retiro. Para além destes retiros que combinam trabalho com mindfulness, já começou também a fazer experiências de coliving de 3 semanas, para pessoas que conseguem conciliar o trabalho online com este tempo de retiro, fazendo uma experiência menos intensa do que um retiro, mas mais duradoura e aproximada ao ritmo de vida do dia-a-dia.

Se quiseres saber mais sobre colivings, recomendo vivamente o artigo dos TravelB4Settle: O que é um Coliving? - Melhor alojamento para nómadas digitais.


Outra dinâmica que parece ajudar a sustentar estas práticas é a criação de comunidades online, onde as pessoas se podem continuar a conectar e a crescer em conjunto, mesmo não estando juntas fisicamente e em contexto de retiro. Hoje em dia, com as ferramentas que temos, já existem muitas comunidades online a funcionarem, que servem esse propósito.


6. Conclusões

Este é um conceito bastante diferente do que estou habituada nos retiros em que tenho participado. Aqui há uma combinação de negócio e empreendedorismo com práticas de mindfulness e, por isso, muitas pessoas que vêm a estas workations podem não estar tão familiarizadas com estas práticas de bem-estar pessoal ou até espiritual. Eu diria que aqui o objetivo não é aprofundar espiritualidade, mas sim dar ferramentas práticas que podem ser usadas no dia-a-dia, que ajudam à capacidade de foco, de tomada de decisão, etc. E, portanto, é uma experiência onde qualquer pessoa não ligada a estas práticas poderá enquadrar-se.

Identifiquei-me muito com a forma de trabalhar e a visão da Boderless Retreats e fez-me muito sentido utilizar as atividades de Mindfulness para apoiar a criação de projetos e sinergias de grupo. Senti que a criação de um espaço seguro ao longo da jornada gerou mais conexão entre os participantes. Utilizando este ambiente, este potencial de empatia, este suporte, confiança, para colaborarem juntos e criarem algo em conjunto e se ajudarem mutuamente faz, para mim, uma diferença muito grande em relação a outros retiros que já fiz. Esta experiência foi, para mim, um crescimento coletivo. A criação duma comunidade de trabalho curadora!

Admiro, sobretudo, a forma de estar simples, humilde e focada no que é essencial da Boderless Retreats. No exemplo de vida simples e de cooperação. Tenho uma profunda admiração pelo trabalho que estão a fazer, pela forma como o fazem, muito centrada na experiência coletiva. 

Resta-me agradecer à Boderless Retreats e aos Thriving Nomads pela oportunidade de estar presente numa experiência tão única e tão rica como esta!



Se procuras outras experiências de retiro ligadas ao Nomadismo Digital, recomendo-te leres os meus artigos:

A minha experiência nas Quatro Anas


Se quiseres saber mais sobre esta viagem a Gran Canaria convido-te a leres o meu artigo:

Vida de um Nómada Digital na Gran Canaria



Beijinhos e abraços!

Encontramo-nos na próxima história de desenvolvimento pessoal 😉

Raquel
Digital Nomad, Blogger, Traveller, House & Pet Sitter

dezembro 19, 2020

O meu primeiro Retiro de Silêncio na Quinta São José dos Montes


Olá, bem-vindos! Escrevo este artigo para partilhar a minha experiência como participante no meu primeiro retiro de meditação e silêncio, na Quinta São José dos Montes, em Tomar. Foram 5 dias sobretudo de meditação e yoga, onde o objetivo era desligarmo-nos do mundo lá fora, dos telefones, internet, até mesmo das leituras, para nos conectarmos apenas com o nosso ser. 

Queria dizer desde já que apesar de termos sido mais de 60 participantes no retiro (nunca tinha participado num retiro com tanta gente, devo dizer!) o espaço tem condições para receber ainda mais gente em segurança. O retiro foi feito de acordo com as normas legais da DGS e como era um retiro de silêncio não era suposto socializarmos ou falarmos uns com os outros.


Neste artigo vou partilhar:

  1. O que é um Retiro de Silêncio?
  2. O que é a meditação?
  3. Rotina e Programa de atividades do Retiro de Silêncio
  4. O que foi mais difícil para mim
  5. O que mais gostei da minha experiência
  6. O que aprendi com este Retiro de Silêncio
  7. Retiro gratuito de Meditação e Silêncio
  8. A quem recomendo este Retiro de Silêncio
  9. Mais sobre a Quinta São José dos Montes


1. O que é um Retiro de Silêncio?

Um retiro consiste num período em que nos retiramos da nossa rotina do dia-a-dia para estarmos connosco. Há vários tipos de retiros e também vários tipos de Retiros de Silêncio, mediante o objetivo que se pretende.

Este Retiro de Meditação e Silêncio pressupõe a conexão com cada um de nós através da ausência de comunicação e interação com outras pessoas, seja por via de palavras ou mesmo olhares, bem como ausência de qualquer tipo de estimulação vinda de exterior, seja falar, ler, escrever, usar o telemóvel, etc. Há uma pessoa qualificada para o efeito, que nos dá orientações durante o retiro e promove atividades de meditação, mantras, etc, que descrimino mais abaixo.

Esta é a proposta feita, que cada participante abraçará em função do seu próprio desenvolvimento pessoal e/ou espiritual e dos seus objetivos pessoais. 


2. O que é a meditação?

Antes de começar, queria desmistificar a ideia do que é meditar. Muitas vezes na Igreja Católica falamos em meditar num assunto para querer dizer que vamos refletir no assunto. Aqui, meditar significa simplesmente estar no presente e isso quer dizer sobretudo não nos misturarmos com os nossos pensamentos, mas sim observamo-los e deixamo-los passar sem nos identificarmos com eles. Para ser mais prática dou um exemplo: estou sentada, a meditar, e imediatamente vem-me à cabeça que quando terminar a meditação tenho que ir às compras, depois ir a casa, ir trabalhar, etc, etc. E eu escolho, nesse momento, simplesmente não seguir a história que a minha mente está a criar, para me focar apenas na minha respiração, naquilo que o meu corpo está a sentir, sem qualquer tipo de interferência da mente.

Bem, quem já tentou meditar sabe a dificuldade que é "não pensar em nada". Para uns é mais fácil do que para outros, mas sem dúvida que exige muita prática. Mas vale a pena, os resultados são fantásticos quando se pratica diariamente, quer ao nível do foco, produtividade, alinhamento, bem-estar geral. A lista de benefícios é infindável!


Tenda do Bosque


3. Rotina e Programa de atividades do Retiro de Silêncio

07h00 Meditação

08h00 Pequeno Almoço

10h00 Yoga

11h30 Práticas Meditativas

12h30 Almoço

15h00 Meditação Ativa

16h15 Meditação

17h00 tempo Livre

19h00 jantar


Dome Quinta São José dos Montes


4. O que foi mais difícil para mim

Sei da infindável lista de benefícios da meditação há vários anos e tentei imensas vezes fazer meditação, mas não aguentava muito tempo. Começavam-me a doer as pernas, as costas, formigueiro, ficava aborrecida, dava-me sono, etc. Ainda tenho muitos dias em que isso me acontece, mas quanto mais pratico mais fácil se torna!

Sabia que meditação não é a minha forma mais querida para me focar no presente. Sou uma pessoa muito ativa, que gosta de estar sempre a fazer coisas e a sentir a mente ocupada, por isso esvaziar a mente é mesmo fundamental! Mas estar parada sem pensar em nada sempre foi demasiado aborrecido para mim... Mas há uma boa notícia! É que existem vários tipos de meditação, uns mais ativos e outros mais estáticos e foi um pouco isso que este retiro me trouxe: abrir as portas para diferentes formas de meditar. 

Nós podemos meditar sentados, conectando-nos apenas com a nossa respiração, mas também existem outras formas, como mantendo essa mesmo presença e foco mas a caminhar, assentando bem cada pé no chão. Podemos meditar a cantar mantras, que no fundo são músicas que têm uma mensagem que se repete e nos ajuda a trabalhar num determinado ponto do nosso desenvolvimento. Podemos meditar a dançar verdadeiras viagens sonoras… Podemos meditar a fazer yoga… A lavar os dentes, com presença nos movimentos que estamos a fazer… Enfim, podemos escolher ter uma atitude meditativa em qualquer circunstância ou atividade que façamos. E isto foi o que nos foi proposto durante aqueles 5 dias: estar neste estado meditativo, seja durante as meditações em grupo, no yoga, nas refeições, em todas as 24h do nosso dia. 

Para isso ajuda não termos contacto com nada do exterior, seja por telefone, internet, ler, escrever, ou mesmo interagir com outros participantes do retiro. O ideal é reduzir a estimulação exterior ao máximo, para nos focarmos apenas no nosso mundo interior. Eu confesso que a partir do 3º dia já estava desesperada por falta de estimulação. A nossa mente faz de tudo para nos manter a pensar com ordem e lógica. Inclusivamente senti-me um pouco tonta durante 2 dias. 

Eu pensava que não falar durante 5 dias ia ser o maior desafio, mas não. Essa parte foi fácil. Mais complicado foi mesmo a falta de estimulação.


5. O que mais gostei da minha experiência

Confesso que adoro estar nos retiros e nestes eventos de desenvolvimento pessoal e espiritual com a minha comodidade / casa às costas, a autocaravana. Quando penso na razão pela qual a comprei, é esta!

Mas o meu momento mais alto foi ao 3º dia, quando comecei a ouvir sons diferentes a saírem do frigorífico e do aparelho de aquecimento da minha autocaravana. 

Inicialmente pensei mesmo que o frigorífico tinha avariado, porque normalmente eu estava habituada a ouvir o que parecia ser um som único e ao 3º dia em silêncio conseguia distinguir 3 ou 4 sons diferentes, com cadências diferentes, que surgiam em simultâneo e em sequência. Tal era a falta de estimulação, que tudo serve para nos atrair a atenção! 😉 Mas é fantástico como há imensa coisa que nos passa despercebida no meio do ruído a que estamos habituados do dia-a-dia!

E é também assim quando queremos ouvir o nosso corpo e a nossa verdade. É preciso eliminarmos os ruídos externos, para ouvirmos os pequenos sinais.


Equitação Natural


6. O que aprendi com este Retiro de Silêncio

Senti que é exatamente neste ponto, no ponto em que já não aguentamos mais, que começamos a sair da nossa zona de conforto, e é aí que se inicia a transformação.

Não há forma de transformar sem desenformar. E desenformar custa! É a mesma coisa que querer emagrecer. Só quando começa a custar é que começamos a trabalhar. Até lá só fizemos o aquecimento. E nos músculos do desenvolvimento pessoal é a mesma coisa. Só quando começa a criar desconforto é que está a transformar.

E cada um aqui é dono do seu próprio processo de evolução. É-nos proposto que façamos o desafio a 100%, mas cada um medirá o ponto em que está e decidirá os seus objetivos.


7. Retiro gratuito de Meditação e Silêncio na Quinta São José dos Montes

Este retiro foi facilitado pelo psicólogo Rui Sebok Bizarro, e organizado pela excelente equipa dele. As aulas de yoga foram amavelmente oferecidas pelo Bruno Cruz, todas as manhãs. Aulas de mais de 1h30, muito completas e com direito a sound healing ao vivo no final para relaxamento, tocado por ele. Top!

Foi tudo muitíssimo bem organizado, sempre a horas, com imensa dedicação, profissionalismo e acima de tudo serviço. Digo serviço, porque este retiro acontece anualmente e é oferecido pelo Rui. A facilitação do retiro é gratuita e os participantes pagam apenas a alimentação (que é fabulosa!) e o alojamento. Eu paguei 20€ por dia para a alimentação (pequeno-almoço, almoço e jantar) e não paguei alojamento, porque fui com a minha autocaravana. Quem escolhesse acampar também não pagaria alojamento.

Podem ver o evento de Facebook com as condições aqui: Retiro Meditação e Silêncio (Gratuito)


Quinta São José dos Montes


8. A quem recomendo este Retiro de Silêncio

Recomendo vivamente este retiro a quem queira iniciar-se na meditação, porque o Rui dá a conhecer vários tipos de meditação com os quais cada um se identifica mais ou menos e poderá trazer para casa e para a sua rotina. No entanto, a meditação é do tamanho daquilo que lhe quisermos e estivermos prontos para dar, por isso é aberta a todos os níveis de dificuldade. Cada um faz o seu trabalho ao seu ritmo e a maravilha é podermos ter estes momentos para o fazermos em conjunto!


9. Mais sobre a Quinta São José dos Montes

Se quiseres saber mais sobre a quinta e os eventos, segue a página de Facebook ou o site da quinta São José dos Montes. A Quinta recebe reservas para alojamento de férias em apartamentos mais convencionais, mas também tem opção em yurts lindos e vai ter um camping. Tem um dome e uma tenda gigantes para eventos, piscina e equitação natural, um conceito que me apaixonou, que pretende demonstrar como podemos comunicar com os cavalos duma forma autêntica e sem violência e, mais do que isso, como podemos aprender sobre nós próprios e desenvolver-nos como pessoas, projetando-nos nesses maravilhosos animais.

Uma das coisas que mais admirei nesta quinta é mesmo este mix de alojamento rural mais convencional e com muito conforto, com algo mais rústico e off grid. Desta forma, pessoas com diferentes standards de conforto podem usufruir deste maravilhoso espaço. Acredito na mistura e na integração e para mim faz muito sentido o trabalho que está a ser desenvolvido aqui!


Yurt Quinta São José dos Montes


Beijinhos e abraços e sejam felizes!

Encontramo-nos na próxima história de desenvolvimento pessoal 😉

Raquel

Digital Nomad, Blogger, Traveller, House & Pet Sitter

OverTrail.com

Raquel Ribeiro. Com tecnologia do Blogger.