fevereiro 10, 2017

Transição, o que é?


Fala-se tanto no movimento de transição e na mudança de paradigma e afinal a que nos referimos?

Temo-nos deparado com dificuldades de diversa ordem no sistema atual vigente e por isso surge uma crescente necessidade de examinar e reestruturar sistemas políticos, económicos, sociais e culturais, para nos alinharmos com as necessidades dos seres humanos e do planeta Terra como um sistema vivo.

Ao mesmo tempo que sentimos que a crise de valores se torna mais evidente, tem surgido uma comunidade crescente de pessoas que procura construir uma nova história, substituindo o medo pela confiança, a competição pela cooperação e partilha, a escassez pela abundância.

Transição é um movimento que fazemos desde o atual sistema vigente para um novo sistema que idealizamos: uma sociedade pós-combustíveis fósseis, com economias mais localizadas e comunidades mais resilientes, que se baseiam nos valores como a paz, a solidariedade, os direitos humanos e o respeito pela biodiversidade.

Para saber mais sobre o movimento de Transição, sua missão e iniciativas, recomendo o artigo do Nuno da Silva - O Movimento de Transição e Mudança de Paradigma, bem como o site da Rede de Transição Portugal e o site internacional Transition Network.

fevereiro 09, 2017

E tu, já encontraste a tua Tribo?

Lembro-me perfeitamente de, há uns anos, a minha amiga Helena Martins me ter perguntado se eu já tinha encontrado a minha "tribo". Andei às voltas com aquelas pergunta… Mas o que quereria dizer ela com “a minha tribo”?

Essa busca tem sido incansável. Por um lado, vamos adicionando cada vez mais experiências e sabedoria à nossa bagagem, o que nos vai tornando cada vez mais complexos e únicos. A princípio parece que esta descoberta de nós mesmos só nos está a atirar para um poço mais fundo e solitário. Sentimo-nos cada vez mais sozinhos e mais diferentes dos outros. Esta é a fase em que nos recolhemos, viramo-nos para dentro e tentamos perceber o que nos move. E numa sociedade que premeia as certezas e “obra feita”, às vezes é mesmo difícil ter este momento de paragem e reavaliação do nosso percurso. Mas, sem dúvida, é um momento necessário para uma jornada consciente…

Desde sempre senti que não pertencia aos lugares onde estava… Não me identificava com a forma como a maior parte das pessoas se divertia ou pensava. Agora percebo que o meu propósito não é pertencer a um lugar, mas sim estabelecer pontes.
E encontro a minha Tribo nesta ligação com pessoas que fazem este percurso interior, que procuram construir uma nova história, substituindo o medo pela confiança, a competição pela cooperação e partilha, a escassez pela abundância. Pessoas que procuram alinhar-se com as necessidades dos seres humanos e do planeta Terra como um sistema vivo. É nesta Transição que está a minha Tribo :)

O caminho é maravilhoso!
E quando damos conta, já não esperamos encontrar pessoas iguais a nós, mas que tenham o mesmo propósito, que nos desafiem e façam crescer. A nossa Tribo é aquela que nos provoca, que nos pica e a que nos abraça para não cairmos.
É comunidade, é família, é amor :)


janeiro 06, 2017

Ano Internacional do Turismo Sustentável para o Desenvolvimento


Sejam bem-vindos ao Ano Internacional do Turismo Sustentável para o Desenvolvimento!

"Through travel, we gain understanding, tolerance, and empathy for our fellow man – essential in the globalization era, where our global village can only prosper through harmonious living."

Taleb Rifai
Secretary-General, World Tourism Organization (UNWTO)


janeiro 04, 2017

Repensando as formas de celebrar...

Há uns meses participei numa Oficina de Danças de Celebração, com o Jorge AnjoMar e relembrei a importância dos círculos de gratidão e de celebração para o meu equilíbrio emocional.
Falta-nos no dia a dia estes momentos de paragem, contemplação e união. Esta boa energia entre todos, em prol do mesmo, da cooperação.
Neste tipo de danças, o mais importante não é fazer os passos todos certos, mas sim participar, de uma forma genuína e com entrega ao momento presente.

Eu sou uma pessoa de celebração. Dou muita importância aos momentos de convívio entre as pessoas, como forma de promover a coesão do grupo, ou simplesmente de reconhecimento por algo feito.
É interessante como, culturalmente, quando queremos celebrar algum acontecimento compramos uma prenda e vamos comer e/ou beber. De preferência até rebentar/embebedar. Só assim podemos dizer que foi uma boa festa, com tudo a que tínhamos direito. É a sociedade do consumo... E muitas vezes não sinto que a relação que estabeleço com as pessoas tenha ficado mais fortalecida com esse evento...

Neste tipo de celebração, onde poderá haver também comida, bebida e oferendas, existe um momento em que todos participam, se divertem e constroem algo em conjunto: uma dança, uma música, ...

Sinto que é importante repensar as formas de celebrar. Gosto de viajar interiormente por estes temas, na tentativa de encontrar, a passo e passo, o meu próprio registo. Acima de tudo que seja uma escolha construída de forma consciente e crítica por cada um de nós.

E é esta a caminhada que convido partilhar através deste blogue. É a caminhada individual e interna da tentativa de, passo a passo, ir conhecendo cada vez mais, para optar por escolhas individuais conscientes.

janeiro 02, 2017

Época de família...

Esta época é de família. 
É momento de encontro de gerações. E quantas gerações... Às vezes 3, às vezes 4...
E é nesta mistura e na repetição de padrões que encontramos o Amor.
Olho para estes avós, que já podiam ser bisavós, e penso que idade bonita esta. A idade de quem já colecionou muita experiência e sabedoria mas, como quase sempre, não tem noção do poder e riqueza que tem dentro de si.
Os filhos e netos têm, muitas vezes, esta grande missão, que mais não passa de um sentimento de gratidão pelas gerações anteriores, que nos educaram com amor e nos serviram.
Este é o momento de os servirmos.

Um dia quero pertencer a essa primeira geração, sentada numa mesa de natal e ano novo. 
Vejo os laços e o amor que alicerçam essas relações. Vejo a transformação. Vejo o que se pode aprender continuamente com alguém que está ao nosso lado há 50 anos e como se pode transformar um amor romântico num amor sereno e companheiro, ainda à luz das velas...

Parabéns à família, que nos abraça sempre com o seu amor incondicional!

novembro 24, 2016

SIRCLe, uma viagem transformadora

Após 5 dias de retiro em Dornes, no Centro de Portugal, onde iniciei uma jornada interior, prossegui para uma segunda jornada: uma semana de grande transformação pessoal e comunitária.

O SIRCLe é um curso de empreendedorismo (r)evolucionário e inovação social para comunidades resilientes, financiado pela UE no âmbito do Programa ERASMUS+. É um programa desenhado para criar um currículo inovador, que integra ferramentas e métodos para a cidadania ativa e empreendedorismo social, com conhecimento científico e experiência de diferentes empreendedores, bem como de movimentos de base já estabelecidos.
Foi realizado nas instalações da Biovilla, em Palmela, e teve uma duração de 5 intensivos dias, entre 31/10 e 04/11/2016.

Este curso foca-se na aprendizagem de metodologias e ferramentas de inovação social, que podem ser utilizadas em cada uma das etapas da conceção / vivência de um projeto. A ideia é combinar resiliência e sustentabilidade financeira, com a paixão pelo planeta Terra. Fundamentalmente é isto o que nos une...
As ferramentas e metodologias abordadas foram, nomeadamente:
- Tecnologia World Cafe
- Tecnologia Open Space
- Dragon Dreaming
- Inquérito apreciativo
- 5 Dimensões da sustentabilidade
- Permacultura
- Sociocracia 
- Way of Council
- Cosmic Date
- DYADE
- Business Model Canvas 


A formação percorreu as mesmas etapas do ciclo de vida de um projeto. São desvendados padrões, e que podem ser adaptados a qualquer área e projeto. Podem até mesmo ser adaptados à escala do ciclo de vida de um ser humano, ou até de um dia das nossas vidas...
O interessante é a ligação deste processo com a vida...

E estas etapas são:

1. Responder ao chamamento
Quando nos propomos a criar algo, existe um chamamento para mudar. Uma energia que nos impele à ação. Uma vontade de servir o mundo e materializar.
Esta paixão, este fogo servirá de referência para a motivação ao longo de todo o processo, por isso tem que ser mesmo forte. Tem que ser aquele sonho que, os anos passam, mas ele continua ali à espera de emergir. Não podemos ter muitas dúvidas, porque vai fazer suor, vais ser difícil, por isso só vamos conseguir se tivermos mesmo determinação.
Que dádiva tens para oferecer?
Nesta fase fizemos alguns exercícios de promoção ao alinhamento interno, e um exercício de meditação criativa, no qual nos víamos a chegar a casa e a viver um dia do nosso projeto.

2. Ultrapassar fronteiras – Desenhar o Mapa
Começamos a fazer um levantamento do que existe no terreno, um mapeamento do que eu sou, que dádiva tenho para oferecer à comunidade onde vivo. 
Uma ideia que achei interessante foi a forma como nos pomos ao serviço da comunidade / mundo. Em vez de começarmos pelos problemas no mundo a resolver, começamos por uma busca interna, daquilo que temos para dar, para depois alocar essa dádiva à promoção de um bem-estar comum. Partindo assim do indivíduo para fora. E é difícil, porque parte de um trabalho de autoconhecimento e autoconfiança enorme! Exige ter muita maturidade e sobretudo SER antes de FAZER e nós nunca fomos educados para este exercício...
Além disso, esta questão pode gerar imenso desconforto, porque a maior parte de nós não conhece o seu propósito de vida e por isso mesmo, muitas vezes não passa desta fase...

3. Fazer círculos – Abraçar a diversidade
Começar a mapear e ligar círculos de interesses, distribuir.

4. Ousar agir – Ir para o mundo e explorar o território
Convido a comunidade a começar a pôr o projeto em ação.
A ação traz a experiência. E começo a explorar os meus medos, etc.
Nesta fase é importante a construção de um protótipo, que nos irá servir para testar a nossa ideia, sem despendermos tanta energia.

5. Enfrentar a escuridão – Integrar as sombras
Após experiência de algumas dificuldades e falhanços, começamos a duvidar sobre o sucesso do projeto. Existem imensas razões para não irmos ao encontro dos nossos sonhos. Muitas delas são desculpas, que emergem dos nossos medos.
A expansão e evolução exige irmos ao nosso lado sombra. É hora de recolher e virar para dentro.
Como manter a resiliência individual e coletiva? 
Existem ferramentas sociais que ajudam a criar resiliência no indivíduo e nos grupos. É importante deixarmos de ser partes e passarmos a ser um todo.
Foi-nos facilitada uma "Dark Night", um poderoso exercício, no qual enfrentámos os nossos maiores medos e desculpas, num contexto seguro.

6. Abertura ao desconhecido – Dar origem ao novo
Quando decidimos enfrentar os nossos medos, estamos preparados para um movimento de expansão e abertura.
Pode ser nesta fase que lançamos o website do projeto, por exemplo.

7. Amadurecimento da caminhada – Colher frutos
O nosso projeto torna-se mais claro e sólido e começa a ter resultados.
Começa também a ser uma inspiração para outras pessoas.

8. Partilha da dádiva – Celebrar a beleza do nosso projeto
Quando já estamos prontos para fazer uma apresentação pública do nosso projeto e a partilhar a nossa experiência, através de palestras, workshops, etc.
Foi-nos facilitada uma Pitch Night, uma noite de apresentação pública dos nossos 14 projetos em 1 hora, na Biovilla. Um momento de grande celebração, em que todos estivemos de parabéns!

9. Chegar a casa
Recolhimento e silenciar. 
Integrar toda a aprendizagem feita, para voltar a sonhar e criar novamente.


Ideias e bloqueios que levava para o SIRCLe
Quando entrei no SIRCLe ia com uma ideia e, quando me vi na meditação criativa percebi que tinha que pensar realmente no meu sonho e não na adaptação que estava a fazer, por circunstâncias da realidade. Se é para sonhar, é para sonhar a sério! A motivação abriu portas e o processo de mapear o sonho tornou-se muito mais simples e prazeroso.
É interessante como aprendemos a sonhar com aquilo que achamos que podemos, com medo de ferir as nossas expectativas e as dos outros, mas depois vivemos uma vida "a meio" daquilo que efetivamente podemos. Eu estava a ficar bloqueada pelos recursos disponíveis que tenho. É preciso às vezes afastar aquilo que temos disponível. Os recursos servem os nossos sonhos e não o contrário. Tal como o dinheiro! Mas o desapego é difícil... Principalmente o desapego do caminho mais fácil...
Foi-me aconselhado que não me preocupasse com o protótipo, para ir mapeando os meus dons, dádivas, etc. Deixar fluir e ir vendo que respostas vou encontrando. E isso foi libertador! Permitiu-me sonhar realmente, e por isso desbloquear...
Senti perfeitamente o meu entusiasmo a crescer, porque me permiti sonhar, sem pensar nos constrangimentos. E o sonho ganhou nova força e contornos!

As desculpas que nos impedem de agir...
Uma das desculpas é não termos o que precisamos para começar. Ainda não estamos prontos. Mas a verdade é que o que precisamos vai aparecendo no caminho à medida que o vamos percorrendo. 
A loja das ferramentas não está no início da caminhada. É como um jogo... À medida que vamos passando níveis, vão-nos sendo fornecidas novas ferramentas, que nos irão servir no momento certo. A vida é muito eficiente e por isso não nos dá ferramentas que não iremos precisar. O que precisamos e quem precisamos irá aparecer no caminho. Só temos que o começar a percorrer...

A entrega ao desconhecido e ao coletivo, necessárias à expansão
A entrega ao desconhecido é um enorme desafio, mas parece ser um obstáculo que temos sempre que ultrapassar se queremos crescer como pessoas...
Esta formação despoletou-me imensos medos que estavam cá dentro guardadinhos, mas também me deu respostas. A expansão ou evolução exige irmos ao nosso lado sombra. Para ganharmos um passo temos que perder algo. Quanto mais não sejam as nossas amarras, a nossa zona de conforto. E uma das formas de ir buscar essa resiliência é exatamente procura-la na consciência coletiva. Percebemos que o meu medo não é meu, é nosso. É algo que temos vindo a perder ao longo das últimas gerações e se calhar está na hora de resgatarmos, se queremos evoluir.
Talvez seja o momento de começar a falar em sustentabilidade do SER, para além da financeira, da social ou ambiental...


A abundância
E terminou esta grande viagem transformadora que foi o SIRCLe.
A grande lição na reta final foi a da abundância: de recursos, de sonhos, mas principalmente de amor.
Pertencemos agora a mais uma comunidade de sonhos... Chamamos-lhe os "empreendedores evolucionários anónimos" ;)
Quanto mais caminho mais pessoas maravilhosas encontro. Pessoas fantásticas a fazerem pequenas mudanças no mundo. Simplesmente porque elas procuram fazer essa mesma mudança de dentro para fora. E essa é a certeza, para mim, de que estou no caminho certo!

Quero contribuir para o mundo de uma forma holística e crescer. Crescer de uma forma holística também, em várias dimensões. E quero ligar-me cada vez mais a mim, ao lugar onde me encontro serena e em paz.

A celebração, como forma de integração de experiências
E este fechar de um dia, este recolher, este momento de celebrar, cada vez é mais importante para mim. Preciso mesmo desse tempo de retiro no final de cada experiência, no final de cada dia, para estar comigo e integrar. A escrita, isto que estou a fazer agora, é uma das minhas formas de integrar, celebrar e fechar os ciclos de aprendizagem.
Espero que ela possa vir a ser um impulso para todos, para uma nova fase: O SONHO!
Afinal, dizem que é ele que comanda a vida... :)

novembro 23, 2016

Cheguei a casa, mas já não sou a mesma... E agora?


Quem viaja, principalmente quem viaja sozinho, conhece aquele momento turbulento do regresso a casa.
Aquilo que aprendemos e vivemos parece-nos ter mudado tanto e quando regressamos a casa choca-nos o facto de estar tudo igual. Nós já não somos os mesmos e parece que à nossa volta tudo parou no tempo. Quem não conhece esta sensação?
E ponho-me a pensar... Será este choque com os outros que nos rodeiam, ou será sobretudo connosco mesmos? Com toda a estrutura que temos montada "em casa"? 
Este pode ser simplesmente o momento de parar e integrar toda a informação, vivências e experiências aprendidas.
A mudança é sempre difícil, mas com a nossa própria evolução vamos precisando de ir fazendo ajustes consecutivamente. E quando chegamos de uma viagem - durante a qual descobrimos que somos muito mais do que temos sido até então, que somos livres e que há imenso mundo para explorar - chegamos a casa e percebemos que é hora de lidar com toda a nossa história, medos, amarras, e integrar estas novas vivências no nosso percurso de vida. Umas vezes de uma forma mais harmoniosa, outras vezes com cortes radicais.

Viajar é como ler. É uma experiência que pode ser altamente transformadora.

Tudo é do tamanho que estamos prontos para lhe dar...

Birmânia 2016
Raquel Ribeiro. Com tecnologia do Blogger.